É um fenômeno que intriga muitos economistas e frustra milhares de famílias: se a renda média aumentou, por que o endividamento das famílias continua batendo recordes? O senso comum sugere que, ao ganhar mais, o problema das dívidas deveria se resolver naturalmente. No entanto, a realidade do orçamento doméstico em 2026 mostra que o problema é muito mais profundo do que a simples falta de dinheiro.
Os números confirmam a gravidade do cenário: segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 82% das famílias brasileiras declararam ter algum tipo de dívida em julho de 2026 — o maior percentual da série histórica iniciada em 2010, e o sexto mês consecutivo de alta. Em julho de 2025, esse índice era de 78,5%, o que representa um avanço de 3,5 pontos percentuais em apenas um ano.
O endividamento persistente, mesmo em cenários de alta de rendimentos, revela um descompasso perigoso entre o comportamento de consumo e a estrutura financeira das famílias. Neste artigo, analisamos por que aumentar a renda, por si só, não é o "remédio milagroso" para o superendividamento.
